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Homem passa 12 horas congelado e, milagrosamente, volta à vida nos EUA

Ciência - 22/01/2016 17:01
Imagine a situação: Justin Smith, um norte-americano de 26 anos de idade, estava voltando para casa perto das 21:30, depois de ter se encontrado com alguns amigos, quando — provavelmente — tropeçou e caiu na neve. O problema é que o rapaz deve ter desmaiado após a queda, e só foi encontrado 12 horas mais tarde, o que significa que ele ficou exposto a temperaturas congelantes durante toda a noite e começo da manhã.

Quem encontrou o jovem foi seu próprio pai, que primeiro viu as botas do filho apontando sobre a neve e, em seguida, reconheceu seu rosto, já azulado. Além disso, Justin não estava respirando e não tinha pulso, e quando os paramédicos chegaram, eles constataram que sua temperatura corporal era de apenas 20 graus Célsius.

Os limites do corpo
A temperatura interna média de um ser humano é 37 °C, e qualquer medição menor do que essa representa uma hipotermia. Quando o organismo registra 35 °C, a hipotermia leve se instala e o corpo começa a ter problemas para manter a temperatura estável — e começa a tremer descontroladamente.


Quando a temperatura cai para 32 °C, os lábios se tornam azulados, a fala começa a ficar comprometida e a pessoa começa a apresentar amnésia. É comum que o comportamento do indivíduo pareça irracional e que ele relate uma sensação de queimadura em vez de congelamento. Com uma temperatura interna entre 28 °C e 30 °C, acontece a perda da consciência, e a morte pode ser declarada se os órgãos internos chegarem à marca de 23 °C.

No entanto, conforme a temperatura corporal vai caindo, a taxa metabólica também é reduzida em um índice de 5 a 7% por grau. O interessante é que esse processo pode proteger o corpo de vários efeitos da exposição ao frio extremo, e isso acontece porque as células, que se tornam mais letárgicas, precisam de menos oxigênio para funcionar.

Desta forma, embora os órgãos comecem as funcionar de maneira mais lenta — e inclusive deem a impressão de ter parado completamente —, a pessoa congelada é mantida em uma espécie de estado de animação suspensa que, em alguns casos, pode ser revertido. E apesar de essa sucessão de processos biológicos ser incrivelmente perigosa, nem sempre ela é mortal — e Justin, cuja temperatura corporal foi medida em 20 °C, é um exemplo milagroso de sobrevivência.

Renascimento
Depois que o corpo congelado de Justin foi descoberto, a polícia foi chamada — e uma investigação sobre a causa da morte chegou a ser iniciada —, os paramédicos não conseguiram encontrar qualquer sinal de vida, e até um médico legista foi chamado ao local. E, se não fosse por Gerard Coleman, o médico plantonista que recebeu a vítima, Justin estaria descansando eternamente sob sete palmos neste momento.

De acordo com o médico — que acredita no lema de que uma pessoa deve estar quente para estar morta —, ele teve um palpite de que Justin não havia morrido ainda. Então, Coleman instruiu a equipe a dar início à reanimação cardiorrespiratória, e o procedimento foi executado durante duas intermináveis horas no corpo congelado do rapaz.

Mas, como as manobras não estavam dando resultado, Justin foi submetido a uma técnica chamada oxigenação por membrana extracorpórea — ECMO — durante a qual, basicamente, aqueceu e oxigenou o sangue dele e o pôs de volta em circulação em seu corpo. Com isso, conforme o organismo do rapaz foi esquentando, seu coração voltou a pulsar e, depois de passar duas semanas em coma, Justin acordou.

Surpreendentemente, apesar de o cérebro do rapaz ter permanecido várias horas sem receber oxigenação, os médicos não detectaram danos neurológicos. Para não dizer que Justin não sofreu nada, ele perdeu os dois dedinhos das mãos e alguns dedos dos pés por conta do congelamento.
Esperança médica

O caso de Justin é um exemplo extremo de como vítimas de hipotermia podem ser salvas, mas ele não foi o único “congelado” a sobreviver. Um estudo apresentado em 2012 revelou que 50% dos pacientes submetidos à ECMO conseguiram se recuperar, e inclusive existem registros de pessoas que, assim como Justin, foram reanimadas e não sofreram danos neurológicos significativos mesmo depois de ficar por longos períodos de tempo sem oxigenação.


Contudo, casos como o de Justin estão ajudando a medicina a aprender algumas lições — e a aplicar o conhecimento sobre como tratar a hipotermia em outras áreas. No Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, por exemplo, cirurgiões estão testando uma técnica que envolve resfriar os corpos de pacientes em estado crítico bombeando uma solução salina através de suas artérias.

O objetivo é o de reduzir a temperatura corporal e, assim, colocar os pacientes em estado de animação suspensa para que os médicos tenham mais tempo. A ideia de resfriar corpos dramaticamente para preservar as funções biológicas, portanto, não é nova, e pode ser que ela se transforme em uma terapia que, apesar de ser potencialmente mortal em determinadas situações (como a que Justin se meteu), poderá ser empregada para salvar vidas.
Fonte: Mega curioso

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