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Por que nos esquecemos das coisas em questão de segundos?

Quem nunca pensou, ao entrar num lugar: "O que eu vim fazer aqui, mesmo?"

Memória - 18/03/2016 13:19

Não tenho nenhum motivo para ter entrado nesta sala. Precisa haver um... Eram as chaves de casa? Não, estão no meu bolso. Então, por que eu entrei aqui...?

Esta é uma cena comum na vida de muita gente e, por mais absurda que pareça, tem um nome. O cientista cognitivo Tom Stafford explica que essa condição é chamada de “efeito da porta”. Ele estuda estes lapsos de memória e defende que entendê-los é também entender um pouco mais sobre como a memória humana funciona. Para explicar seus estudos, ele conta:

“Uma mulher conhece três construtores numa pausa para o almoço. 'O que você está fazendo hoje?', ela pergunta ao primeiro. 'Estou colocando um tijolo em cima de outro, com cimento entre eles', responde. 'O que você está fazendo hoje?', a mulher pergunta ao segundo construtor. 'Estou erguendo uma parede', ele responde, simplesmente. Mas o terceiro construtor, quando perguntado pela mulher, responde com orgulho: 'Estou construindo uma catedral!'.

Stafford explica que essa pequena história mostra a importância de se olhar o panorama completo, não apenas um detalhe. A mensagem é bonita, mas ele recomenda uma atitude diferente na vida. De acordo com o cientista, o “efeito porta” acontece quando deixamos de prestar atenção nos detalhes, nas pequenas partes, e mentalizamos o objetivo completo. Então, se você precisa das chaves para sair de casa, pense em pegar as chaves e só depois em sair de casa.

Em 2011, psicólogos da Universidade de Notre Dame estudaram o “efeito porta” e concluíram que o cérebro automaticamente divide um plano grande em pequenas etapas. Se uma dessas etapas se perde ou se confunde, o fluxo é afetado. Na conclusão da pesquisa, há um pequeno exemplo: você vai ao seu quarto procurar em sua cama fones de ouvido para escutar um podcast enquanto lava louça. Repare que tudo isso está divido em pequenas etapas. Então, se a pessoa se esquecer onde estava mesmo os fones, provavelmente vai se esquecer do podcast e até da louça.

A memória humana é mesmo uma coisa bizarra.
Fonte: Galileu

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