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Do anarquismo à anarquia

Chegou a vez de falar sobre “anarquia”, termo mais conhecido entre nós, colunista de banheiro segundo palavras de um proeminente ex vereador, e os leitores assíduos desta coluna que nos meios palacianos desperta curiosidade por ser imprevisível

Opinião - 01/12/2017 11:51 (atualizado em 01/12/2017 11:52)

Nas últimas três colunas deste espaço, falou-se sobre “Anarquismo”, doutrina filosófica que prega uma sociedade SEM a existência do Estado, este no sentido lato.  A matéria publicada resulta de uma entrevista concedida por Hans Hermann Hoppe, publicada pelo Instituto Ludwig Von Mises Brasil. Hans Hermann Hoppe é filósofo e economista alemão-americano da Escola austríaca, professor de economia na Universidade de Nevada, Las Vegas. Obteve seu pós doutorado na Universidade de Frankfurt

ANARQUISMO

Anarquismo é um sistema político que busca o fim do Estado e de sua autoridade. O termo tem origem na palavra grega ANARKHIA, que significa ausência de governo. Vulgarmente, o anarquismo é entendido como a situação política em que a constituição, o direito e as leis deixam de ter razão de existir.

O anarquismo é uma teoria política que rejeita o poder estatal e acredita que a convivência entre os serem humanos é determinada pela vontade e pela razão de cada um. 

ANARQUIA

Saindo da filosofia, situando-se na realidade Brasileira tanto no patamar nacional quanto estadual e até local, vivemos um momento anacrônico, andando na contramão da história e da realidade. 

A CEPAL - Comissão Econômica Para a América Latina (1948), Órgão das Nações Unidas e suas organizações coligadas, Banco Interamericano de Desenvolvimento (1959), Banco Mundial (1944) e  PNUD (1966), foram criadas para planejar o desenvolvimento das Nações da América Latina.

O modelo de desenvolvimento preconizava a produção industrial de bens de consumo duráveis. A partir de 1920, o governo Brasileiro, iniciou a implantação das bases com a criação da indústria de Álcalis, da Petrobrás, Eletrobrás, Siderurgia, e outras. 

Passados pouco menos de um século, o atual governo, de impostura, diga-se de passagem, joga tudo no lixo e pretende que o Brasil volte à condição de Colônia, já que está vendendo tudo o que foi construído nesse último século para tornar a ser um país agrícola. 

Enquanto os países mais desenvolvidos do mundo investem em novas tecnologias com a formação de técnicos e cientistas, o nosso Brasil investe em enxadas, foices e arados. Voltamos ao período do café com leite, do cacau, da cana de açúcar, agora ladeada pela soja e milho. Produzimos grande quantidade de esterco para poluir a natureza e importamos quinquilharias que vão desde prendedores de roupa, pentes e liquidificadores, com origem, pasmem, no Vietnã, na China e até no desprezado Paraguai.

Quanto ao Agro é tech, Agro é pop da Rede Globo, que subliminarmente tenta conectar o consumidor com o produtor rural desmistificando a produção agrícola, na verdade segue a linha da revolução verde dos Estados Unidos na década de 50, que de verde mesmo só teve o nome da cor. A promessa era acabar com a fome no mundo através do aumento na produção de alimentos. 

Mas, o grande legado da dita revolução verde, agora propalada pela Globo, vem sendo na verdade a concentração de grandes porções de terras nas mãos de poucos latifundiários e o escoamento de pacotes tecnológicos e de insumos por multinacionais estrangeiras que incluíam agrotóximos com princípios ativos excedentes da segunda guerra mundial, fertilizantes químicos e sementes transgênicas. A alavancagem da agricultura tradicional, de pequenas propriedades ou de economia familiar, na verdade, como sempre, ficou entregue à sua própria sorte. 

Paralelamente à venda das nossas indústrias de base, geradoras de tecnologias, está em curso um processo de desmonte da educação, com redução nas verbas a ela destinadas, cortes nos programas de doutorados e pós doutorados no exterior e controle rigoroso sobre as universidades e escolas Federais, com intenção de transferi-las à iniciativa privada. 

Isso não é tudo. As instituições de crédito públicas, pilares do atendimento às classes menos favorecidas, passarão em curto espaço de tempo à iniciativa privada, pois a pressão da Febraban sobre o governo chega às raias do absurdo.

A Anarquia já está instalada em nosso País. A reforma da CLT, da Previdência e outras reformas, transformarão em Capitão do Mato o combalido estado Brasileiro, que terá a missão maior de dizimar os pobres, negros e todas as minorias, para agigantar-se diante de uma sociedade covarde, submissa e hipócrita.

Em todas as esferas de governo e até aqui nesta terra que há pouco tempo foi de Padre Aurélio e hoje pertence a alguns vereadores adesistas, as obras que resultam das famosas emendas não têm o condão de servir ao povo, mas servir algumas empreiteiras, pois vêm carimbadas. É só observar quem são os catadores das emendas e seus destinatários e concluir que a realidade é essa mesma: Não há emendas para projetos culturais, sociais ou educacionais, pois estas não geram fumaça de trator e consequentemente não geram dividendos. 

Após o corte de recursos federais para as áreas de educação, saúde, e programas sociais aí incluídos a cultura e esportes em 20% para os próximos 20 anos, não há o que se esperar deste e dos futuros governos se a facção que hoje o comanda permanecer a postos. 


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