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Opinião

Por Jorge Hori. Ver o que não é mostrado Ler o que não está escrito Ouvir o que não é dito

Opinião - 15/12/2017 17:59 (atualizado em 15/12/2017 18:01)

Inteligência Estratégica II

Os investimentos industriais no Brasil, absolutamente necessários para alavancar o crescimento econômico, em parte são de máquinas e equipamentos importados. Aumentam a capacidade industrial mas não geram, de imediato, encomendas à indústria nacional de máquinas e equipamentos. A curto prazo o efeito sobre o PIB é negativo. Não aumenta a produção nem o produto nacional. Essa tendência deverá continuar diante da geração de divisas pelo agronegócio, contribuindo para uma estabilidade cambial em níveis relativamente baixos.

A grande esperança dos economistas e do mercado está nos investimentos em infraestrutura, ora com um grande gargalo. Até recentemente, o principal investidor foi o Estado.

Com a sua “falência” não tem mais capacidade de investir. Tudo dependerá do interesse privado. 

O agronegócio não é exportador apenas de matéria prima, sendo grande parte exportada com um primeiro processo industrial, tanto em unidades industriais de grande porte, com a produção de celulose, como em unidades menores, como açúcar e etanol. Cabe 

considerar que este último é produto de inovação tecnológica brasileira. 

O suco de laranja não só agrega valor pelo processamento industrial da laranja, como também pela marca. O Brasil é maior produtor mundial de suco de laranja. As carnes são o caso mais emblemático de transformação industrial e agregação de valor.

As lavouras estão cada vez mais maquinizadas e tecnologizadas, elevando a produtividade e empregando relativamente menos. Aumentam a quantidade de empregos pela ampliação dos volumes de produção.

Mas a sua principal contribuição para os empregos está na viabilização do processamento industrial subseq?ente. Sem a intensa produção florestal o Brasil não teria se transformado no maior produtor mundial de celulose de fibra curta. 

A agropecuária, do ponto de vista da produção, vai bem. Produziu uma supersafra de grãos, que promoveu a retomada do crescimento econômico.

E vai bem porque está preponderantemente voltada para o mercado externo, aproveitando as oportunidades, ao contrário da indústria que ainda é fortemente dependente do mercado interno, cujo enfraquecimento promoveu a crise. 

A orientação para o mercado externo não foi fruto de políticas governamentais, tampouco de decisões dos produtores. Mas por estratégias das grandes tradings de comercialização de produtos agrícolas, em busca de melhores resultados para os seus acionistas. 

Os produtores não são vendedores. Tem os seus produtos comprados pelas tradings. As estratégias comerciais são delas.

São elas que orientaram o setor para o mercado externo.  

A agropecuária se tornou o principal motor do crescimento econômico brasileiro. Promoveu a retomada do crescimento, no início deste ano, rompendo o ciclo recessivo, mas não é essa “coisa” toda que alardeia. 

Por uma série de circunstâncias históricas a agropecuária vem crescendo a sua produção. 

As suas lideranças e, principalmente, os seus arautos, procuram convencer a sociedade e o Governo da sua importância, afirmando e sendo razoavelmente aceito que produzem de 20 a 25% do PIB. Falso e verdadeiro, dependente do ângulo. Considerada a produção no campo, a que decorre do esforço e coragem do produtor rural, falsa. Se considerada a cadeia produtiva verdadeira.

Agronegócio não é só produção rural. Agronegócio é indústria. Agronegócio é serviço. 

O motor do crescimento da economia brasileira é hoje a agropecuária florestal. Pode representar uma parcela relativamente pequena do PIB, em torno de 5%, mas movimenta diretamente pelas suas correias transmissoras e motores sucessivos, pelo menos mais 15%. E tem efeitos indiretos não mensurados. 

O agronegócio é hoje essencial para a economia e sociedade brasileiras. A cultura urbana precisa perceber e aceitar esse papel. Até porque a principal parte da produção do agronegócio está nas cidades. Comer um bom churrasco é agronegócio. 

O CAPITAL

O Capital, livro mais famoso do pensador alemão Karl Marx completa, em 11 de setembro de 2017, 150 anos. No Livro 1, que levou cerca de 15 anos para ser finalizado, Karl Marx apresenta sua visão acerca do processo de produção e circulação do capital desde sua origem, a mercadoria e sua condição fetichista, a manifestação do trabalho como a verdadeira fonte geradora do valor e a redução de sua força à mera mercadoria a ser explorada pelo capital, a mais valia, salário e acumulação primitiva.

Para compreender a obra, é necessário entender o método materialista histórico dialético criado e desenvolvido pelo autor a partir da influência que teve do filósofo Georg Friedrich Hegel. 

Esse método, usado por Marx, no qual a tese de que o Homem trabalha para atender às suas necessidades é demonstrada a síntese

“negação da negação”, que conduz as forças e as relações materiais ao largo da história e nos direciona no decorrer de toda obra. O leitor

que negligencia a metodologia materialista dialética presente na obra O Capital, certamente fracassará no objetivo de dominar os conceitos- chave do pensamento marxiano. 

EXEMPLO PARA O BRASIL

O seguimento político de São Miguel do Oeste tem por hábito dar exemplos para todo o País. É daqui uma moção aprovada pela colenda da época, declarando determinada pessoa “personna non grata”! Também saiu daqui o exemplo de democracia, onde o povo pode xingar a todos, menos os políticos locais e seus parceiros oportunistas, paraquedistas ou corruptos. 

O maior exemplo desta vocação para o inusitado vem da instalação de um circo bem em frente ao fórum. Isto é o mais cabal exemplo da situação deste País, onde a justiça e o circo andam de mãos dadas. 

Aguarda-se com ansiedade quem será o nobre edil a propor uma moção de aplauso ao gerente do circo que requisitou aquele local e ao servidor público que concedeu o alvará. Isto sim merece aplausos!


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