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O amor, na sua diferença, é igual para todos!

O namoro é a fase mais gostosa de um relacionamento, para qualquer pessoa, em qualquer idade. É nessa fase que a relação vai ganhando mais intimidade, onde o carinho abre espaço para a chance única de experimentar novas sensações, e viver novas experiências entre casal. Para falarmos sobre o Dia dos Namorados, a equipe de redação do GC entrevistou o Eduardo e a Thaise, pessoas que tem deficiência intelectual moderada. Conheça na matéria a seguir um pouco da história desse casal especial!

Especial - 08/06/2018 09:52 (atualizado em 12/06/2018 18:46)
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Chegou de mansinho e foi crescendo... um sentimento que despertou quando o primeiro olhar encontrou a pessoa certa. Assim aconteceu com Eduardo Sassi quando ele viu pela primeira vez a aluna nova, Thaise Luft, entrar na sala de aula há pouco mais de dois anos. No início eram apenas colegas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de São Miguel do Oeste.

Naquela época Thaise estava em um relacionamento com outro rapaz, que também estuda na Apae, então Eduardo manteve distância. Quando o relacionamento terminou, Thaise ficou bastante abalada, e encontrou no Eduardo seu porto seguro para superar aquela fase. “Quando ela chegou na Escola eu já fiquei apaixonado por ela! Mas ela tinha um namorado então fiquei esperando. O dia que ele terminou com ela eu a chamei para conversarmos. Foi nessa conversa que nos aproximamos. Deu um medinho de falar com ela porque eu já tinha passado um trauma com minha ex-companheira, mas mesmo assim eu fui”, lembra Eduardo.

Thaise conta que Eduardo conversava bastante com ela e que sempre estava por perto quando precisava. “Foi conversando um dia que ele pediu para namorar comigo e eu aceitei. Dia 15 de junho vai fazer um ano que estamos juntos”, fala a jovem.

Eduardo pediu Thaise em namoro na escola, mas o segundo passo do relacionamento foi avisar a família sobre a novidade. “Assim que conheceram o Eduardo, de cara já gostaram dele”, conta.

Apelidos carinhosos

Como qualquer casal apaixonado, Thaise e Eduardo também tem apelidos carinhosos na relação. “Ela me chama de bem e eu a chamo de amor”, brinca Eduardo.

Segundo ele, o casal quase não briga e mantém um relacionamento tranquilo.  Eles não se restringem a encontros apenas dentro da escola, e se visitam também nas suas casas, e fazem programação de namorados. “Gostamos de assistir filmes, séries, futebol que eu gosto mais, tudo isso. Também saímos comer fora e viajamos”, relata Eduardo.

Thaise conta que Eduardo é um bom companheiro e não sente dificuldades no namoro. Todos aceitam bem a relação, tanto em casa, quanto na escola e nos locais que frequentam. Como a data 12 de junho, Dia dos Namorados, vai cair justo numa terça-feira, Eduardo explica que vão frequentar a aula normal. “Ainda não programei nada especial, mas dá tempo”, afirma.

Relacionamento cria mudanças positivas para casal


De acordo com psicóloga Juliana Camini Oliveira o relacionamento entre Eduardo e Thaise só agregou no desenvolvimento na vida deles. Juliana atua há dez anos na Apae de São Miguel com especialização na área de neuropsicologia. Ela trabalha na parte de reabilitação e atendimento clínico com os alunos da instituição e, também, no acompanhamento com os pais desses alunos.

“O Eduardo está na instituição desde que eu iniciei como profissional aqui, então o conheço há um bom tempo. A Thaise está conosco há aproximadamente dois anos e nesse período deu para conhecer o jeito dela”, destaca Juliana.

Segundo a profissional, Eduardo é um rapaz com personalidade forte de liderança, com opiniões bem definidas sobre a vida, política e esporte. “Ele é um rapaz que se interessa muito por esse meio, tanto que já esteve na função de auto defensor dos alunos aqui da instituição. Já a Thaise é uma menina um pouco mais fechada, que está começando a falar mais sobre seus sentimentos. Ela é doce, meiga, carinhosa e bem amiga”, diz.

“A partir do momento que eles assumiram o relacionamento não percebemos mudanças negativas, somente positivas. Eles têm um respeito muito grande um pelo outro, pelas regras da escola, que pede para que eles mantenham um comportamento mais controlado, então eles são bastante respeitosos quanto a isso”, enfatiza a psicóloga.

Ela completa dizendo que ambos têm uma cumplicidade muito boa, até porque o namoro surgiu de uma amizade. “O Eduardo ajudou a Thaise no sentido dela olhar mais para si e ter opinião própria então é bastante positivo. Eu visualizo que só fez bem para eles aqui na escola, e em casa acredito que também, porque eles têm um relacionamento aberto e suas famílias sempre aceitaram”.

Como a família deve agir?


Para a psicóloga há algumas formas de contar aos pais sobre um relacionamento. Uma delas é quando o próprio aluno toma essa iniciativa de conversar em casa. “Os pais ligam, pedem nossa opinião, mas o mais importante é que a família queira isso e perceba que é algo positivo, pois eles têm sentimento e que gostariam de se relacionar como qualquer outra pessoa”, afirma.

Juliana explica que alguns pais não aceitam o relacionamento de seus filhos. Nesses casos eles são chamados para uma conversa na escola, mas a decisão final sempre é da família. “Nosso papel é o de auxiliar na orientação dos casais e também fornecendo informações para a família. Orientamos sobre tudo, inclusive sobre métodos que devem ser tomados caso o relacionamento evolua para uma relação mais íntima. Também orientamos sobre o comportamento em público, em casa, o que é namoro, como esse sentimento deve ser e existir para que o aluno entenda e para que a família consiga perceber o quanto isso é importante”, constata.

A profissional evidencia ainda que os pais devem entender que seus filhos, mesmo tendo limitações devido à sua deficiência, são pessoas que também tem necessidade de ter um relacionamento. “Uma perspectiva de futuro, de sonhos. A gente consegue visualizar o quanto isso reflete positivamente na vida deles, porque eles se sentem mais próximos de como é a vida de qualquer pessoa”, finaliza.


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