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Santa Catarina é referência nas agrotechs, empresas que criam inovações para a agricultura

Aproximadamente 40 empresas de agronegócios no Estado visam o uso de soluções tecnológicas de ponta para auxiliar a produção rural familiar

Economia - 05/08/2018 09:02


Foto: Salmo Duarte / A Notícia



Consolidada como destaque nacional no fomento de empresas ligadas à tecnologia e inovação, Santa Catarina começa a despontar como um dos Estados brasileiros precursores no desenvolvimento de soluções para o agronegócio. Capitaneadas principalmente por iniciativas de Joinville, as Agrotechs – startups voltadas para o setor – ampliam cada vez mais sua presença no Estado com um objetivo claro: atender demandas importantes dos agricultores familiares, que até então não tinham acesso às tecnologias de ponta.


Atualmente, são cerca de 40 as empresas emergentes catarinenses com negócios exclusivos voltados à inovação agro em parceria com o Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar (NITA) do governo federal, sendo ao menos oito delas localizadas em Joinville. O portal, que foi formalizado no ano passado, é o único no país que integra uma experiência liderada pelo Grupo Banco Mundial – instituição financeira internacional que faz empréstimos a países em desenvolvimento – junto de outros sete lugares no mundo dentro de um modelo pioneiro de parcerias firmadas entre diversas entidades públicas e privadas. 


O núcleo tem como seu principal objetivo conectar os pequenos produtores com as empresas e suas determinadas tecnologias disponíveis para a área.


De modo geral são projetos de modernização sustentáveis que já estão em andamento ou em desenvolvimento, que se inserem no mercado visando o avanço de sistemas que vão desde o ganho de produtividade e eficiência, redução de custos e de mão de obra, diminuição de nocivos ao meio ambiente e contribuição com a manutenção do homem no campo. Entre os exemplos já disponíveis estão equipamentos de tração elétrica, serviços automatizados de irrigação, adubação e controle da plantação e o uso de sensores e imagens em alta definição para a geração de dados.


Essa aposta feita na transformação agropecuária expande também a cauda de investimentos feitas pelas empresas emergentes no município para além da indústria e, com isso, atinge um público classificado como “caseiro” com mais de 17,4 mil habitantes e quase 2 mil produtores. Quantidade significativa, já que a cidade comporta a maior população rural de Santa Catarina. Além disso, o próprio Estado possui uma demanda considerada interessante, visto que possui mais de 87% de participação da agricultura familiar dentre os 168 mil estabelecimentos agropecuários estaduais – proporção acima da média nacional, de 84% entre os mais de 4,3 milhões de empreendimentos mapeados pelo último censo agropecuário consolidado do IBGE (2006).


Conforme o coordenador do NITA no Estado, Ditmar Alfonso Zimath, a expansão de negócios no ramo vem das empresas que desenvolvem tecnologias e sistemas para o gerenciamento e organização das produções, além do desenvolvimento tecnológico para os serviços de cultivo, estas possuem maior concentração no Litoral e no Norte catarinense.


– Joinville é um grande centro de desenvolvimento acadêmico público-privado, em mecatrônica e automação, por exemplo, aliando áreas de conhecimento e sistemas que potencializam o desenvolvimento de tecnologias embarcadas, de imagens por satélite, uso de drones e o desenvolvimento de máquinas e equipamentos autônomos que ajudam a movimentar as inovações no setor – salienta Zimath.


Fator econômico ajuda na ampliação


Para Gilmar Jacobowski, agrônomo e consultor do Banco Mundial no NITA, as condições econômicas da agropecuária brasileira diante da recessão também foram determinantes para resultar no aumento das iniciativas de modernização das áreas de cultivo. 


No ano passado o setor agrícola avançou 13%, considerado o melhor desempenho desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1996. O resultado fez com que a esfera agropecuária fosse responsável por 70% do crescimento econômico do Brasil no ano – de 1% em sua primeira alta registrada depois de passar dois anos no vermelho – evidenciando a importância da área aos olhos dos investidores.


– O setor de tecnologia sempre gerou muitos recursos para as indústrias e o comércio, mas com a crise econômica o agronegócio foi o setor que não parou, então as ideias começaram a se voltar para esse campo. Em Joinville nós temos um mix de atividades na agricultura de pequeno porte bastante grande, além de uma indústria metalmecânica e de automação forte. E isso leva, com o que já existe de inteligência e tecnologia instalada e uma juventude de porte maior, a movimentar o pessoal que está inovando e que quer entrar no mercado – destaca o agrônomo e consultor.

Fonte: A Notícia

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