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BRASIL SEM RUMO?

Opinião - 11/10/2018 09:15

Dois dias após o fim do 1º turno das eleições presidenciais, os partidos começaram a se definir: vão de Fernando Haddad (PT) ou Jair Bolsonaro (PSL)? Além das coligações já formadas, as legendas derrotadas na disputa presidencial começaram a se posicionar.

Quem acompanha o noticiário político nacional certamente estranharia uma parceria entre o Partido Comunista do Brasil (PcdoB) e o Democratas (antigo PFL). Os motivos parecem claros. Um lado esteve ao lado dos governos petistas, foi contra o impeachment de Dilma Rousseff e integra a chapa do PT na tentativa de retorno ao Planalto. O outro permaneceu na oposição, ajudou a articular a queda da petista e apoia o tucano Geraldo Alckmin (PSDB). 

No cenário catarinense, isso não incomodou os integrantes das legendas, que se aliaram para apoiar o deputado estadual Gelson Merísio (PSD), que tenta se eleger como governador do Estado. 

Esse é apenas um dos casos de contradições nas principais chapas que disputavam o governo estadual no estado. Na chapa do deputado Mauro Mariani (MDB), os partidos que o apoiaram faziam parte das campanhas de cinco presidenciáveis. Já o grupo que apoiava Merísio poderia subir ao palanque de oito dos postulantes à Presidência da República. 

As coligações foram tão diversas que o PT, que na chapa de Fernando Haddad tem o PROS, além do PCdoB, teve que concorrer sozinho com o deputado federal Décio Lima ao governo estadual, já que os dois partidos decidiram apoiar a candidatura de Merísio.  

Merísio, que de forma precipitada manifestou apoio ao Bolsonaro, terá que enfrentar agora no segundo turno, o comandante Moisés do PSL, partido que fez uma grande bancada de deputados federais e também estaduais. Por outro lado, o MDB que no Estado seria o parceiro natural do PSD, já fechou com Bolsonaro no plano federal e fatalmente irá apoiar o comandante Moisés. No mesmo patamar se encontra o PP, que também apoia Bolsonaro no segundo turno. 

Resta analisar o comportamento do PT no plano Estadual Catarinense. Historicamente, em todas as disputas eleitorais, o discurso de campanha do PT sempre foi forte contra as oligarquias que segundo alega, dominam o Estado desde sua constituição. 

Aliando o discurso contrário às oligarquias com a disposição dos partidários de Bolsonaro de enxugar a máquina pública, aí está a oportunidade de o PT, de forma indireta ir à desforra, descarregando seus votos no comandante Moisés. 

Quem sabe, com os votos do PT, Moisés poderá subir a montanha para receber do Divino a tábua dos mandamentos de Bolsonaro, para quebrar o continuísmo das oligarquias catarinenses, limpar o estado começando pelas vergonhosas secretarias regionais, e dar um potente pé na bunda do Merísio, que se acha o rei da cocada preta, fazendo por merecer uma lição. 

BRASIL DE NOVO SEM RUMO

Atendo-nos apenas à recente história política de nosso País, a ascensão de Bolsonaro à presidência da república, formará um triunvirato de salvadores da pátria que de forma meteórica chegaram ao palácio do planalto sem reunirem as mínimas condições necessárias ao bom desempenho de tão importante mandato. 

A derrocada se iniciou com Jânio Quadros, o homem da vassoura, que venceu as eleições com a promessa mirabolante de varrer o país, limpando-o da corrupção e da incompetência. O resultado, todos sabem. Durou menos de sete meses no poder, renunciando após editar centenas de bilhetinhos e algumas “leis” esdrúxulas, como a de proibir mulheres vestindo biquínis nas praias, rinhas de galo e corridas de cavalos em dias de semana. Após o fiasco, entregou de bandeja o país aos superiores de Bolsonaro, que ficaram plantados ali durante longos vinte e dois anos.

Em seguida, chegou a vez de outro “sem noção”, denominado Fernando Affonso Collor de Mello, o caçador de marajás, que de importante só tinha os duplos “effes e elles” em seu nome. Assumiu a presidência com o propósito de acabar com os que chamou de “marajás” que consumiam o dinheiro público com a percepção de altos salários. Também não conseguiu concluir seu mandato, pois foi cassado pelo Congresso Nacional após menos de três anos de mandato, não sem antes entregar o País ao neoliberalismo econômico e sequestrar a poupança do povo brasileiro para salvaguardar os negócios dos ricos. 

O NOVO MESSIAS

Agora é chegada a vez do novo salvador da pátria, um militar aposentado aos 33 anos de idade, que recebe um polpudo soldo da caserna, uma gorda remuneração como deputado federal sem abrir mão do auxílio moradia e das mordomias do mandato. Promete matar meio mundo, distribuir armas, cortar gastos e direitos dos trabalhadores, trazer de volta a escravidão e acabar com o Estado, entregando-o à iniciativa privada. Promete transformar o Brasil numa grande fazenda, cercada de militares por todos os lados, com perto de 160 milhões de pobres (76% da população) trabalhando como peões de fazenda, para engordar (com a mais valia de Karl Marx) ainda mais os bolsos dos 24% restantes. 

Não poderá durar muito tempo, pelos seguintes motivos: 1) está se aliando ao MDB, ao PP e outros não menos ladrões que o PT, com quem terá que lotear o governo; 2) não possui um partido político sólido para lhe dar sustentação, como aconteceu com seus antecessores de infortúnio; 3) não saberá governar, pois para ser eleito precisará acomodar os mesmos que lhe deram apoio e não se elegeram, como acontece desde a proclamação da república; 4) Ele, Bolsonaro, não sabe nada! Não entende nada de nada de política, economia, mercados, relações internacionais, assim como a maioria de seus seguidores. Estará fadado ao fracasso. 


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