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Santa Catarina renova 68,75% de sua bancada na Câmara Federal

Com quatro nomes e 25% das vagas, o PSL foi a grande surpresa na eleição catarinense, desbancando o MDB, que perdeu uma cadeira e agora terá apenas três. Em nível nacional, a taxa de renovação foi menor, de 52%, mas mesmo assim foi a maior dos últimos 20 anos

Estado - 11/10/2018 17:35


A onda Jair Bolsonaro trouxe à Santa Catarina uma grande surpresa. O recém fundado PSL, partido do presidenciável que somou 65,82% dos votos válidos catarinenses, conquistou quatro das 16 vagas na Câmara Federal, 25%, se tornando a maior bancada de SC, desbancando o MDB que tinha quatro e agora tem três. A bancada de Santa Catarina na Câmara dos Deputados foi renovada em 68,75%, sendo que 11 novos nomes vão representar os catarinenses em Brasília. São seis novos parlamentares a mais do que no último pleito, em 2014, quando apenas cinco nomes diferentes surgiram.

Apenas Peninha (MDB), Professor Pedro Czai (PT), Celso Maldaner (MDB), Carmen Zanotto (PPS) e Geovânia de Sá (PSDB) conseguiram a reeleição. Marco Tebaldi (PSDB), Valdir Colatto (MDB), Ronaldo Benedet (MDB) ficaram na suplência e João Rodrigues (PSD) está com recurso para validar seus votos.

Além de dos quatros eleitos pelo PSL, outros partidos considerados menores conquistaram cadeiras. O PRB, inclusive, teve Hélio Costa eleito deputado mais votado com 179.307 votos. O Novo também conseguiu uma vaga, com Gilson Marques, que somou 27.443 votos.

João Rodrigues recebe mais 67 mil votos

João Rodrigues (PSD), que teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral e ingressou com recurso, somou 67.955 votos. Conforme o TRE-SC, os votos foram considerados nulos, mas podem se tornar válidos caso o recurso de Rodrigues seja aceito. Com a votação superior a 67 mil votos, ele seria o 16º eleito. Caso reverta a decisão da justiça o candidato do PSD ficaria com a vaga de Gilson Marques, do Partido Novo, que foi o último a entrar.

O deputado foi preso em fevereiro após ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) por fraude e dispensa de licitação. Em 14 de agosto, ele foi solto após decisão liminar (temporária) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Porém, o habeas corpus concedido ao político foi suspenso em 6 de setembro pelo ministro Roberto Barroso, que é relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, segundo a PGR, a defesa do deputado tem entrado com medidas judiciais para evitar que ele volte à prisão.

PT e PSL somam as maiores bancadas

A Câmara dos Deputados será composta por 513 deputados federais de 30 partidos diferentes. Antes eram 28 partidos. PT e PSL elegeram o maior número de representantes. A bancada do PT terá 56 deputados e a do PSL, 52. São os dois partidos com mais deputados federais eleitos. Em seguida com mais cadeiras na Casa aparecem PP (37), MDB (34) e PSD (34). O MDB foi o partido que mais perdeu cadeiras: caiu de 66 eleitos em 2014 para 34 eleitos em 2018. O PSL foi o mais ganhou cadeiras: foram 52 deputados eleitos agora, contra 1 em 2014. O PSDB, que foi a 3ª maior bancada eleita em 2014 com 54 deputados, caiu para 9º com 29.

Depois do PSL, os partidos PDT, PRB e DEM foram os que mais aumentaram o número de cadeiras na comparação com 2014. PDT e PRB ficaram com mais 9 deputados cada um. No total, PRB tem uma bancada com 30 representantes. O PDT, com 28. DEM conquistou mais 8 cadeiras e, portanto, passa para 29 deputados.

PMB, Rede Sustentabilidade e Novo não participaram das eleições de 2014. Desses partidos, o PMB foi o único a não eleger nem sequer um deputado. Rede conquistou uma deputada eleita por Roraima. O Novo conseguiu eleger 8 deputados, eleitos por São Paulo (3), Minas Gerais (2), Rio de Janeiro (1), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1).

Os seguintes partidos, que hoje não têm representantes na Câmara, continuarão sem nenhum nome a partir de 2019: PRTB, PCO, PCB, PMB e PSTU. Atualmente, outros 74 partidos estão em processo de formação no Brasil – ou seja, em busca de apoiamento de eleitores para, depois, entrar com o pedido de registro no TSE.

Mulheres ocupam 25% das vagas de SC

No pleito de 2018, eleitores catarinenses elegeram quatro deputadas federais catarinenses, ou seja 25% das 16 vagas que o estado tem direito. Caroline de Toni (PSL) com 109.363 votos, Geovânia de Sá (PSDB) com 101.937, Ângela Amin (PP) com 86.189 e Carmen Zanotto (PPS) com 84.703 são as eleitas. Apesar de as quatro eleitas representarem apenas ¼ das vagas, as mulheres aumentaram sua representação em comparação com 2014, quando apenas duas mulheres foram eleitas por Santa Catarina. À época foram eleitas Geovânia de Sá e Carmen Zanotto, que conseguiram a reeleição.

Em nível nacional, o percentual de mulheres eleitas para a Câmara cresce de 10% para 15%. Nesta eleição foram eleitas 77 deputadas, 26 a mais que no pleito de 2014, quando foram eleitas 51. Em 1998 foram 29 eleitas, em 2002 – 42, em 2006 – 47 e em 2010 foram 45 representantes. Um levantamento feito pela Inter-Parliamentary Union (IPU) com mais de 190 países, divulgado em 1º de setembro, apontava que o Brasil ocupava a 156ª posição no ranking de igualdade no parlamento, com 11%. No mesmo ranking a Argentina ocupa a 17ª posição, com 39%.


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