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Jair Bolsonaro é eleito presidente e Brasil terá um capitão no Planalto

Embalado por antipetismo, Jair Bolsonaro chega à Presidência com missão de "dar um jeito no país" e derrota Fernando Haddad do PT

Brasil - 28/10/2018 19:51 (atualizado em 28/10/2018 22:03)

Conforme a última parcial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 19h08, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) já estava está matematicamente eleito como presidente do Brasil para a gestão 2019 - 2022. Ainda que não tenha sido totalizado 100% das urnas, não há chance de reverter o resultado.Com 92,08% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro já liderava com 55,63% dos votos válidos contra 44,37% dos votos válidos de Fernando Haddad. O estado com maior votação proporcional foi o Acre, com mais de 77% dos votos válidos destinados a Bolsonaro. Santa Catarina foi o segundo, com 75,92% dos votos válidos. 





A CAMPANHA

Foi uma campanha bem-sucedida: Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, repetiu à exaustão seus bordões: tolerância zero com a corrupção, críticas fortes à esquerda e ao PT, defesa dos valores familiares conservadores e maior liberdade para a   polícia agir sem ser punida por excessos em operações, com espaço garantido para o "cidadão de bem" e ações pelo bem do Brasil. 

Depois de sete mandatos como deputado federal, Bolsonaro, ou o "Mito", como seus seguidores gostam de chamá-lo, ganhou a eleição ao embalar-se como novo e colocar-se como o candidato que vai enfrentar o velho sistema político. Nos anseios de seu eleitor, com sede de mudança e cansado de um sistema político que se desgastou com casos de corrupção, o militar é o melhor nome para dar um jeito no país.

O cansaço contra a corrupção, o desgaste da política tradicional, a descrença de grande parte da população no PT, desejo de ordem e valorização da família são alguns dos ingredientes que provavelmente em algum momento passaram pela cabeça de eleitores que digitaram 17 na urna e elegeram o candidato que usou o slogan "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

Escolhido pelo povo, o capitão da reserva do Exército vai assumir a partir de janeiro um país em crise econômica, com as contas públicas no vermelho, quase 13 milhões de desempregados, PIB com previsão de crescimento de apenas de apenas 1,4%, e com elevados índices de violência -- foram mais de 63 mil homicídios em um ano. 

Ele terá também o desafio imediato de pacificar o país. Mesmo com a vitória, milhões votaram no candidato do PT, Fernando Haddad, e o clima da disputa deixou um ar beligerante entre seguidores dos dois candidatos. Amigos, colegas de trabalho e famílias brigaram por divergências de voto durante a campanha. Militantes políticos ligados a diferentes posições entraram em clima de guerra nas redes sociais e não faltaram provocações nas ruas, com muitos casos de agressividade verbal e até violência física.

Fonte: UOL

Conheça um pouco mais da história do presidente eleito 

Jair Messias Bolsonaro nasceu em Campinas, São Paulo, em 21 de março de 1955. Bolsonaro casou-se com Rogéria Nantes Nunes Braga Bolsonaro, vereadora no Rio de Janeiro, entre 1993 e 2001. Da união, nasceram três filhos. Três deles seguiram carreira política: Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal por São Paulo, Flávio Bolsonaro assumiu o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, em 2003, e Carlos Bolsonaro, vereador no município do Rio de Janeiro, em 2001.

Cursou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército e em seguida a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), formando-se em 1977.

O político é um militar de reserva, desde que serviu ao Exército brasileiro de 1971 a 1988, onde chegou a tornar-se capitão entre os anos de 1979 a 1981. Sua carreira militar teve sequência com o ingresso na Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, onde se especializou em paraquedismo.

Em 1986, servindo como capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha, ganhou projeção nacional ao escrever artigo intitulado "O salário está baixo". No texto, Bolsonaro apontou o desligamento de dezenas de cadetes devido aos baixos salários pagos à categoria. O artigo gerou tanta polêmica que acabou resultando na prisão dele, por infringir o regulamento disciplinar do Exército.Pouco tempo depois, a revista Veja trouxe uma reportagem com apresentação de um plano do então capitão Bolsonaro para explodir bombas em várias unidades da Vila Militar e em vários quartéis.

Ingresso na política

A exposição na mídia contribuiu para que Bolsonaro fosse eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro em novembro de 1988, na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC).

Porém, o mandato não chegou a ser cumprido até o fim, pois, no ano de 1990, Bolsonaro foi concorrer a uma vaga na Câmara Federal. Eleito no processo, Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 1991.

Em abril de 1993, Bolsonaro foi um dos fundadores do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC com o Partido Democrático Social (PDS). No mesmo ano, ele voltou a chamar a atenção da mídia quando defendeu o retorno do regime de exceção e o fechamento temporário do Congresso Nacional.

Em agosto de 1995, com a criação do Partido Progressista Brasileiro (PPB), resultado da fusão do PPR com o PP, Bolsonaro transferiu-se para a nova agremiação.

Nas eleições de 2002, candidatou-se pela quarta vez a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Assumiu seu novo mandato em fevereiro de 2003. No mesmo ano, Bolsonaro deixou o PPB para filiar-se ao PTB. No início de 2005, deixou o PTB e se filiou ao Partido da Frente Liberal (PFL). Em abril, deixou o PFL e foi para o Partido Progressista (PP), nova denominação do PPB, sua antiga legenda.

Nas eleições de 2006 foi reeleito para o quinto mandato consecutivo. Nas eleições de 2010, Jair Bolsonaro obteve cerca de 120 mil votos, sendo o décimo-primeiro deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro.


Fonte: Redação com apoio Uol Brasília

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