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CADA FAMÍLIA UMA HISTÓRIA, UM UNIVERSO

Uma MÃE incrível! Parte I

Familiaridades - 08/03/2019 14:29 (atualizado em 08/03/2019 14:32)

Todos os dias atendo uma família, um casal ou apenas um indivíduo com as suas histórias de vida. Sejam construídas em conjunto ou a sua própria história anterior à relação da qual buscam ajuda.

A primeira família que buscou ajuda (em 1.999), tinha uma história interessante, como todas, evidentemente. Era constituída por uma “mega” mãe: protetora, exigente, trabalhadora. Um esposo/pai também muito trabalhador, mas muito ausente da vida familiar, por conta das suas atividades laborais. O casal tinha 03 filhos homens, porém, só 01 compareceu junto com os pais à terapia. Os outros dois, embora ainda solteiros, residiam em outras cidades diferentes, distantes. Qual era o motivo da busca? Uso e abuso de cocaína! E isso era para todos os filhos, mas o que estava presente apresentava maior consumo e problemas relativos ao abuso, os outros ainda continuavam estudando e tendo “uma vida” além do uso de drogas. O sentimento de culpa se misturava ao sentimento de impotência deste casal. A dependência química, dentro das relações, nunca foi ou é algo simples de ser tratado. Não há relações específicas que produzam um usuário, assim como o uso de um dos pais ou de alguém da família extensa, não garante o mito da “hereditariedade”. Mas as relações da dependência possuem sim características muito comuns. Em geral, existe um progenitor, quase sempre a mãe ou aquele que executa este papel, muito protetora e, ao mesmo tempo, exigente e cobradora. Um pai (ou o que faz esse papel), ausente das decisões e atividades domiciliares e até extradomiciliar dos filhos. Em geral, uma “mãe” que se sente só e usa todo o seu amor e determinação na proteção dos filhos ou especificamente de um. Mas tudo isso depende da dinâmica da família, sem uma regra que defina todas as dependências.

Como expressei cada história é única! Neste caso aqui, como a mãe se sentia muito sozinha (ou talvez dominava/controlava tudo e todos), cobrava exageradamente dos filhos: — Está vendo ali na televisão? São todos uns drogados! — Hoje vai ter uma palestra sobre alcoolismo, vamos todos! — Trouxe alguns livros (recortes de jornais) para vocês verem o que são as drogas. E assim seguia tantas outras “orientações”. O que houve então? Sentiram-se sufocados? O excesso de informações promoveu a curiosidade? 

Continua no próximo artigo...

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