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NÃO HÁ SAÍDA

São Miguel do Oeste - 01/07/2020 10:39

Se o Brasil não tivesse se transformado num país de

acovardados, que assistiu à ascensão do fascismo sem nenhuma

reação política, as agressões da família Bolsonaro contra o Supremo

seriam encerradas nos próximos dias.

Mas isso só aconteceria se o Brasil tivesse entidades liberais

fortes, conservadoras mas vigorosas, e não arremedos de

organizações empresariais, quase todas golpistas.

O empresariado brasileiro não é apenas caroneiro do fascismo, é

seu sócio e seu aliado político.

Há muito tempo esvaiu-se a dúvida em torno do caráter do apoio

que o capitalismo brasileiro dá aos Bolsonaros. Não só o capitalismo

agrário e arcaico, mas o capitalismo da Avenida Paulista.

Fomentou-se como diversão a falsa dúvida sobre a ambição

pragmática do empresariado pós-golpe de agosto de 2016.

Se estavam apenas tirando proveito da situação, para que Paulo

Guedes conduzisse as reformas em paz, ou se a índole desse

capitalismo era mesmo antidemocrático.

Vai sendo provado que o caráter dos empreendedores nacionais,

de todos os calibres, é mais do que conservador, mais do que

reacionário, é entreguista, negacionista, imediatista, oportunista.

Pegue-se um pensador da direita, e não alguém de esquerda,

que seria logo desqualificado pelo empresariado, que reflita sobre a

adesão do empresariado à extrema direita.

Pegue-se o que diz Demétrio Magnoli, que pergunta há muito

tempo, a partir da situação que vivemos, se é verdade que, para ser

liberal, o capitalismo brasileiro precisa suprimir a democracia e

cortejar desmandos?

Mas como ser cúmplice de um Bolsonaro, se nos iludiram com a

ideia de que, na doutrina liberal, a liberdade política é inseparável da

liberdade econômica? É o que pergunta Magnoli, sempre sem

respostas. É tudo bobagem.

Os liberais brasileiros, e aqui não há referência apenas ao

sentido econômico, encolheram-se diante do bolsonarismo.

Encaramujaram-se nas suas entidades representativas, nas

instituições das chamadas forças vivas locais e, o que é dramático,

nas universidades.


A UFRGS, a nossa mais bem avaliada universidade pública,

reduto histórico de resistências, está promovendo debates com a

participação de expressões da extrema direita.

Extremistas que conspiram contra as liberdades, incluindo a de

expressão, podem frequentar o espaço da universidade pública para

falar em nome do direito de ser fascista?

É provável que, em nome do livre pensar, as universidades

acolherão um dia nazistas assumidos para troca de ideias sobre a

pandemia como possibilidade de melhorar a raça humana?

O bolsonarismo cooptou sentimentos e interesses, em todas as

áreas, muitos com adesões dissimuladas, e aniquilou a possibilidade

de reações no setor público. Tudo ficou fácil para a direita.

O enfrentamento das deliberações do Supremo para conter a

indústria de fake news e difamações é liderada por um filho de

Bolsonaro e por uma militante armamentista da extrema direita. E

não há nenhuma manifestação dita liberal solitária, apenas pequenos

grupos de torcedores clubísticos, que se insurjam em defesa do

Supremo.

Um filho de Bolsonaro, um blogueiro e uma militante de Youtube

decidem desafiar a mais alta Corte do país e ninguém mais, fora as

esquerdas, a imprensa e as entidades de sempre, como a OAB, ergue

a voz.

O projeto do liberalismo bolsonarista nem existe mais. Não há

qualquer sinal de funcionalidade do governo. Paulo Guedes sumiu.

Mas Bolsonaro e os filhos fingem que governam, com a proteção dos

militares.

E os liberais acreditam que algo pode ser salvo. Estão mudos,

resignados, cagados.

Os empresários fazem o marketing das lutas identitárias.

Ganham dinheiro com o marketing ambientalista. Defendem pautas

progressistas nos costumes. Mas são covardes para enfrentar

Bolsonaro e dizer não à ameaça de golpe.

Eles sabem que não há saída com Bolsonaro, mas estão

paralisados pela inércia de décadas de covardia.


A FALÊNCIA DO ESTADO


O Fascismo de Benito Mussolini provocou uma das maiores,

senão a maior diáspora da população Italiana nos séculos XIX até


meados do século XX. Perto de 13 milhões de Italianos deixaram seu

País para tentar sobreviver em outros mundos, na Europa, Américas

e Ásia. Esse movimento migratório teve como principal motivo o fato

de o governo fascista Italiano da época não garantir a sobrevivência

de seu povo.

No Brasil, mantidas as tendências que se avizinham, pode-se

imaginar algo parecido, talvez menos expressivo porque a grande

maioria dos Países desenvolvidos ou em desenvolvimento mal dá

conta de garantir a sobrevivência dos seus.

A privatização das águas, em curso no Congresso Nacional, é o

principal sinal. Um País como o Brasil, maior manancial de água doce

do mundo, privatizar a distribuição do precioso líquido, não é

simplesmente estratégia de “estado mínimo”, mas sim admitir que o

Governo caminha para o fascismo e nesse sistema será incapaz de

garantir ao seu povo um dos itens essenciais à sua sobrevivência.

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