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Médico encontra fungo gigante no interior de Maravilha

Fungo foi localizado na cidade de Maravilha, no Oeste do Estado e pesa mais de 18 kg; a raridade da natureza foi encaminhado à Unochapecó

Maravilha - 24/05/2021 15:51


Foto: Unochapecó/Divulgação/ND


Era um dia normal na chácara do médico Evandro Nicola, localizada na Linha Primavera Alta, interior do município de Maravilha, no Oeste de Santa Catarina. Um funcionário do local realizava o plantio de árvores, quando se assustou ao ver o que para ele era uma ‘cachopa de abelhas’. Ao analisar com cuidado e limpar a vegetação ao redor, descobriu ser, na verdade, um fungo gigante, com a estrutura de cogumelo. “Coisas que só a mãe natureza é capaz de nos proporcionar”, conta o médico.

O fungo encontrado por Evandro faz parte da do gênero Macrocybe, mas a espécie só será possível descobrir após a análise de um especialista da área. Porém, é impossível não ficar impressionado com seu tamanho: 62 cm de comprimento, e 18,2 kg.

Por isso, Evandro não teve dúvidas de que precisava compartilhar o achado com especialistas da área, e entrou em contato com o curso de Ciências Biológicas da Unochapecó. “Fiz a doação do mesmo à Instituição e fiquei muito feliz em ver o interesse e comprometimento deles com a descoberta”.

O trabalho de retirada dos fungos do local foi realizado pela equipe do Museu de Ciências Naturais da Universidade. Agora, entra em ação o trabalho dos profissionais do Museu para a conservação do achado, que deve seguir uma série de procedimentos padrões, para que depois ele integre o acervo.

Segundo o professor de Ciências Biológicas da Unochapecó, Adriano Dias de Oliveira, esse é um tipo de fungo com muita água, pouco resistente, por isso, certamente no processo de conservação, ele não vai ficar como foi encontrado. Ele será desidratado, e nisso perderá 80% do volume, e a partir daí poderá ser conservado.

“Isso se faz com fungos de modo geral, sempre com perda da qualidade visual. A dificuldade é que ele é muito espesso, muito grande, então vamos ter que cortar ele em fatias, pois não tem como desidratar inteiro. Se tentar desidratar ele em partes muito grandes, ele mofa, e isso é o maior inimigo de coleções científicas”, explica.


Presentes em todas as partes

O professor destaca que os fungos formam essa estrutura de cogumelo quando vão fazer uma parte do ciclo de vida deles, que é a reprodução sexuada. Não ter o cogumelo não significa que o fungo não esteja no ambiente, pois ele pode estar misturado com a matéria orgânica morta, por exemplo, mas no formato de hifas, de micélio, que são parecidos com os mofos que costumamos ver em frutas e outros alimentos.


Foto: Unochapecó/Divulgação/ND


“Então, ele está misturado com o material que consome, e visualmente a gente não sabe que ele está ali. Não sabemos até que ponto esse fungo não está mais presente nas regiões em que ele é encontrado, mas ele não é visto, pois dificilmente forma o cogumelo. São encontros ocasionais, por isso é muito interessante termos achado ele aqui na região”.

Além de estarem em praticamente todos os lugares, a toda hora, os fungos também prestam serviços ecológicos importantíssimos, como por exemplo, a decomposição da matéria orgânica e ajudar as plantas a obterem nutrientes como fósforo.

“Claro que temos também os fungos comestíveis, e é possível que esse fungo encontrado seja comestível, mas ainda não é possível afirmar isso. Mas também existem muitos fungos que são problemáticos, causam apodrecimento de produtos que nos interessam, como os alimentos, podem produzir toxinas e podem causar doenças para diferentes seres vivos, plantas, humanos e outros animais”, relata Adriano.

Entender esse sistema complexo que existe no grupo dos fungos, por si só já é algo muito interessante e curioso. Imagine então poder ver de perto um exemplar como esse, com os próprios olhos, e descobrir que ele foi achado aqui na nossa região.

De acordo com o professor, toda espécie registrada em um local, acaba sendo parte do patrimônio natural daquela região. Ele ressalta que geralmente o patrimônio cultural dos povos é reconhecido com muita facilidade, mas o mesmo olhar não ocorre para o patrimônio natural, para a biodiversidade.

“Há uma tendência para que, cada vez menos, a gente se identifique com a biodiversidade regional, que foi o berço dos nossos antepassados, serviu de alimento, moradia e ambiente para nossa cultura se desenvolver. Então cada vez que a gente traz um elemento novo, tão chamativo e incomum, a gente deveria conseguir cativar as pessoas para esse tipo de relação, aproximá-las do que é a biodiversidade regional”, enfatiza o professor.


Disponível para visitação

Agora, após o fungo passar pelo processo de conservação, ele estará disponível para visitação no Museu da Unochapecó, junto ao acervo com demais exemplares nativos da nossa região.  “Para a instituição, é um elemento incomum no acervo que nós temos, por isso só já se justifica, e o museu e o curso ficam muito agradecidos ao médico Evandro ter tido o interesse em disponibilizar esse material para a gente, pois certamente aqui ele tem um valor muito grande, e talvez lá ele se decompusesse e perdêssemos essa referência tão incomum”, completa Adriano.

Fonte: ND+
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